A importância da atividade física para crianças autistas
Por que o movimento é uma necessidade neurológica no autismo e como incluí-lo na rotina de forma simples, respeitosa e possível.
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Quando uma criança é recebe o diagnóstico de autismo, muitas dúvidas surgem. Uma das mais comuns entre pais e cuidadores é: “Será que meu filho vai precisar tomar remédio?”
A verdade é que o autismo não se trata com medicação. Mas em alguns casos, ela pode ser uma aliada importante para lidar com sintomas que afetam o bem-estar da criança e de toda a família.
Neste artigo, vamos conversar sobre isso de forma clara, respeitosa e sem tabus.
É fundamental reforçar que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é uma doença. Portanto, não existe “cura”, e nenhum remédio trata o autismo em si.
O que existe são intervenções terapêuticas que ajudam a desenvolver habilidades sociais, sensoriais e de comunicação proporcionando autonomia e qualidade de vida para os autistas.
E em algumas situações, medicações podem ser indicadas para tratar sintomas associados, que dificultam a rotina, o aprendizado e a qualidade de vida da pessoa.
A medicação pode ser uma alternativa quando a pessoa apresenta sintomas mais intensos, como por exemplo:
Nestes casos, os medicamentos ajudam a regular o cérebro, tornando a pessoa mais disponível para aprender, interagir e se comunicar.
📌 Importante: Existem diferentes classes de medicação que podem ser indicadas como ansiolíticos, estabilizadores de humor, medicamentos para TDAH, entre outros. Sempre de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Somente um médico especializado pode avaliar se há ou não necessidade de introduzir uma medicação. O mais comum é essa prescrição ser feita por neurologista, neuropediatra, pediatra com experiência em TEA, psiquiatra e psiquiatra infantil.
Essa decisão precisa ser feita com muito cuidado e em diálogo com a família, sempre considerando:
É importante entender que a medicação não ensina habilidades. Ela pode ajudar a reduzir barreiras como agressividade, irritabilidade, falta de concentração, entre outras, mas o desenvolvimento vem principalmente das intervenções terapêuticas e do apoio familiar.
Entre as principais terapias que devem caminhar junto com a medicação estão:
🤝🏻 A combinação entre terapias, escola, apoio familiar e, se necessário, o uso apropriado de medicamentos, é o que traz os melhores resultados e benefícios para a pessoa autista.
Assim como qualquer medicamento, podem existir efeitos colaterais. Por isso deve ser uma decião consciente e em conjunto com um médico de sua confiança.
Veja abaixo os efeitos colaterais mais comuns:
Por isso, o acompanhamento médico é indispensável. Com ajustes na dose ou mudança de medicamento, muitos desses efeitos são controláveis e temporários.
✨ A nossa experiência com o Noah
Aqui em casa, vivemos na pele esse dilema.
Eu confesso que, no início, a ideia de medicar o Noah não me agradava. Sempre achei que ele era apenas uma criança com muita energia, barulhento, bagunceiro, e sendo bem sincera, eu sempre amei esse jeitinho dele.
Mas, logo depois de completar 6 anos, veio um momento difícil. Durante as férias de fim de ano, com toda a quebra de rotina, enfeites natalinos, luzes piscando e sem a escola, o Noah começou a ter crises intensas e longas, ficou muito agitado, agressivo e até se auto machucava. Ele não aceitava ouvir “não” e parecia estar constantemente desregulado.
Foi aí que, já sem saber o que fazer, buscamos um psiquiatra infantil. Com muita conversa e cuidado, iniciamos o uso de uma medicação e, para nossa surpresa, foi um divisor de águas.
O Noah continuou sendo ele mesmo: bagunceiro, alegre, cheio de vida. Mas agora, com muito mais regulação. As crises praticamente desapareceram e quando ocorrem, são menos intensas e duram menos tempo. Ele está mais concentrado, tranquilo, mais tolerante.
Aquilo que antes eu temia, hoje vejo como uma ferramenta de apoio, usada com responsabilidade e acompanhamento profissional.
❤️ Para finalizar
Medicar ou não medicar é uma decisão muito delicada. E não deve ser tomada com pressa, medo ou culpa.
Cada criança é única. E quando os sintomas estão prejudicando o bem-estar e o desenvolvimento, a medicação pode sim ser uma aliada valiosa, desde que usada com consciência e junto de outras formas de apoio.
O mais importante é entender que o objetivo nunca deve ser “normalizar” a criança, mas sim ajudá-la a viver com mais conforto, autonomia e qualidade de vida.
Se você está passando por esse momento, procure profissionais de confiança, tire todas as suas dúvidas e tome uma decisão consciente que faça sentido para a sua família.
Com carinho,
Michele Leite
Mãe do Noah e sua companheira de jornada 💙