Autismo e telas: quando as telas ajudam e quando podem atrapalhar o desenvolvimento
Como usar celular, tablet e televisão de forma equilibrada para apoiar o aprendizado e a comunicação da criança autista.
Publicado em 25/11/2025 por Michele Leite
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Quando uma criança autista chega à escola, não é apenas uma nova etapa para ela, é também um momento de adaptação para toda a família.
Muitas vezes, o que faz a maior diferença não é só a escola “ter conhecimento sobre autismo”, mas conhecer especificamente o seu filho: o que acalma, o que angustia, o que estimula e o que desorganiza.
Cada criança autista é única, e por isso a comunicação entre família e escola é essencial. Quanto mais claros forem os detalhes, mais segura e acolhida a criança se sentirá.
Este artigo traz 5 pontos fundamentais que a escola precisa saber para oferecer o melhor suporte para os nossos filhos.
Não importa se ele fala, se usa poucas palavras, se aponta, se usa PECS, comunicação alternativa ou gestos: a escola precisa saber qual é a linguagem dele.
Porque:
Isso evita frustrações;
Reduz crises;
Aumenta a sensação de pertencimento.
Alguns exemplos:
“Quando ele quer algo, ele traz até nós.”
“Ele usa esta imagem quando quer comer.”
“Quando ele fica em silêncio, pode estar sobrecarregado e não desinteressado.”
Quanto mais detalhes você puder compartilhar, maiores serão as chances de inclusão.
Nós, pais, nos tornamos especialistas em interpretar as necessidades dos nossos filhos, mesmo quando eles não falam, porque os conhecemos desde o nascimento e convivemos com eles todos os dias.
Mas aquilo que é óbvio e fácil para nós, quase nunca é óbvio ou fácil para quem não conhece tão bem o seu filho, por isso, explicar detalhadamente faz toda a diferença.
A escola precisa aprender a reconhecer os primeiros sinais, antes da crise chegar.
Alguns exemplos:
Tampar os ouvidos.
Ficar inquieto ou andar em círculos.
Ficar muito quieto de repente.
Chorar muito ou se irritar com pequenos estímulos.
Quando isso acontece, são sinais do corpo dizendo: “Estou recebendo mais estímulo do que consigo suportar.”
Ter um plano de acolhimento faz toda a diferença e pode evitar que esse excesso de estímulos resulte numa crise.
Cada criança tem estratégias que funcionam e isso precisa ser compartilhado com a escola.
Alguns exemplos:
Brinquedos sensoriais.
Ir para um cantinho tranquilo.
Usar fone abafador de ruídos.
Fazer compressão com cobertor ou abraço firme (se a criança aceitar).
Oferecer uma pausa para que a criança possa se auto regular (levá-la para o parquinho, permitir que ela se movimente, etc.)
A escola não precisa adivinhar, ela precisa saber.
Você pode fazer uma lista simples:
“Quando ele está ansioso, ofereça seu objeto de conforto.”
“Quando ele estiver irritado, deixe ele ficar alguns minutos num cantinho tranquilo, sem muitos estímulos.”
Dar previsibilidade para a criança autista é uma forma poderosa de oferecer segurança emocional, reduzir a ansiedade, evitar sobrecarga sensorial e diminuir a chance de crises.
Quando ela sabe o que vai acontecer, onde vai, quem estará lá, quanto tempo vai durar, o que vem antes e depois, o mundo fica menos "caótico".
Rotinas claras, explicações antecipadas, histórias sociais e sequência visual de atividades ajudam a criança a se organizar internamente e a participar com muito mais tranquilidade e confiança.
Como a escola pode ajudar:
Avisar com antecedência sobre mudanças.
Mostrar o cronograma do dia (visual).
Preparar histórias sociais (ex.: "ir ao banheiro", “hora do recreio”, “fazer atividade sentado”, etc.)
Usar cartões e imagens para transições (ex: “agora vamos guardar”, “agora vamos lanchar”).
Preparar sequências visuais de atividades.
Exemplo:
No autismo, é muito comum que determinados comportamentos sejam mal interpretados.
Muitas crianças autistas podem:
Essas atitudes, no entanto, não indicam desinteresse, desobediência ou falta de compreensão. Elas refletem formas diferentes de processar o ambiente e as interações sociais.
A criança autista pode precisar de mais tempo para entender o que está sendo pedido, organizar suas sensações e se sentir segura antes de responder.
Esse tempo é parte do seu processo de autorregulação, um passo importante para conseguir interagir de forma genuína e confortável.
Forçar a interação ou insistir em respostas imediatas pode gerar desconforto e até sofrimento.
Por isso, é essencial que as aproximações sejam respeitosas, graduais e empáticas, permitindo que a criança vá, aos poucos, criando laços de confiança com o adulto e com as outras crianças.
Quando o olhar é acolhedor e o tempo da criança é respeitado, o vínculo floresce naturalmente.
Porque quando a escola conhece e respeita o funcionamento da criança:
a adaptação é mais suave,
a criança se sente mais segura,
as relações se tornam mais afetivas,
e o desenvolvimento acontece com muito mais leveza.
A comunicação entre a escola e a família é essencial para o desenvolvimento e o bem-estar da criança. Quando há empatia, paciência, constância e todos trabalham em sintonia, a jornada se torna muito mais leve e positiva para todos.
Com carinho,
Michele Leite
Mãe do Noah e sua companheira de jornada 💙