Ecolalia no autismo: o que significa e quais são os tipos
Entenda o que é ecolalia, por que ela acontece em crianças autistas e como cada tipo pode revelar diferentes formas de comunicação e aprendizado.
Publicado em 06/12/2025 por Michele Leite
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Quem convive com o autismo já percebeu que algumas situações podem levar a reações intensas, às vezes explosivas, outras vezes silenciosas.
Essas reações são conhecidas como meltdown e shutdown, e ambas acontecem quando o sistema nervoso da pessoa autista chega ao limite da sobrecarga.
Entender o que está acontecendo no corpo e no cérebro da criança permite que possamos acolher com sensibilidade, em vez de interpretar como birra, desobediência ou drama.
Pessoas autistas processam o mundo de maneira diferente. Sons, luzes, cheiros, toques, mudanças na rotina e até emoções podem ser percebidos com muito mais intensidade.
Quando o cérebro recebe mais estímulos do que consegue organizar, ele entra em modo de proteção.
Essa proteção pode acontecer de duas formas:
através da descarga (meltdown)
ou através do desligamento (shutdown)
O meltdown é uma reação explosiva à sobrecarga sensorial ou emocional.
Durante um meltdown, a criança não tem controle sobre o que está acontecendo. O corpo reage liberando energia acumulada, é um transbordamento.
Como o meltdown pode se manifestar:
choro intenso
gritos
agitação física
bater as mãos, chutar, correr, se jogar no chão
tentar fugir do ambiente
comportamentos repetitivos mais intensos
É fundamental entendermos que NÃO É BIRRA.
Na birra, a criança ainda controla suas ações. No meltdown, ela perde o controle porque o cérebro entrou em estado de sobrecarga. É como se ela dissesse: “Está demais. Eu não consigo lidar.”
O shutdown é a resposta silenciosa à sobrecarga. Ao invés de explodir, a criança desliga internamente para se proteger.
Sinais de shutdown:
se isola
fica muito quieta
para de falar (mesmo que já falasse)
evita contato visual
se deita, se encolhe ou se esconde
parece não “responder” ao ambiente
É como se ela dissesse: “Eu não tenho energia para enfrentar. Eu preciso me desligar.”
Essas reações são causadas por sobrecarga sensorial e/ou emocional.
Os gatilhos mais comuns são:
ambientes barulhentos ou lotados;
mudanças inesperadas na rotina;
frustração por não conseguir se comunicar;
cansaço ou fome;
excesso de atividades;
conflitos emocionais ou sociais.
Nesse momento, o cérebro está priorizando apenas uma coisa: sobrevivência e regulação. E é por isso que habilidades como fala, interação e atenção parecem sumir temporariamente.
É importante ressaltar que não é regressão e não é “desaprendizado”, e sim proteção neurológica.
ASPECTO | MELTDOWN | SHUTDOWN |
Resposta | Explosiva | Silenciosa |
Ação | Liberação de energia | Retração, “desligamento” |
Corpo | Agitado, intenso | Lento, imóvel ou recolhido |
Emoção | Transbordamento | Bloqueio |
Objetivo | Reduzir tensão de dentro para fora | Reduzir estímulos de fora para dentro |
Ambos têm a mesma origem: sobrecarga. A diferença está na forma que o corpo encontra para se proteger.
Durante o meltdown:
reduza estímulos (som, luz, pessoas)
não fale nada ou fale pouco e com calma
leve para um local tranquilo se possível
ofereça presença, sem cobrança
acolhe a criança para que ela se sinta segura,
Durante o shutdown:
permita silêncio e pausa
ofereça conforto físico se a criança aceitar (como um cobertor)
mantenha o ambiente previsível e seguro
espere ela voltar no tempo dela
O que mais ajuda é estar junto sem exigir.
Meltdown e shutdown não são falhas, não são ingratidão, não são falta de limites. Eles são sinais de que o corpo e o cérebro estão pedindo ajuda.
Quando compreendemos isso, deixamos de ver esses momentos com medo ou culpa, e começamos a tratá-los com o que realmente faz a diferença: empatia, acolhimento e amor.
Com carinho,
Michele Leite
Mãe do Noah e sua companheira de jornada 💙