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Autismo em bebês: 10 sinais precoces de 0 a 2 anos para ficar atento

Reconhecer possíveis sinais de autismo ainda nos primeiros anos de vida não tem a ver com colocar um rótulo na criança, mas com entender como ela se desenvolve e garantir que ela receba o apoio adequado no momento certo.

Nessa fase tão inicial, os sinais podem ser sutís e fáceis de passar despercebidos, por isso observar o comportamento do bebê com atenção e sensibilidade é fundamental para favorecer um diagnóstico e uma intervenção precoce, o que terá um impacto imenso no desenvolvimento do seu filho.

A seguir, você encontrará 10 sinais importantes para observar,  lembrando sempre que um único sinal isolado não significa que o seu filho é autista. O que merece atenção é o conjunto deles, o que pode ser um indicativo para buscar orientação de um especialista em desenvolvimento infantil.

1. Pouco contato visual

O bebê pode evitar olhar para o rosto dos pais ou parecer “olhar através” das pessoas.

Exemplos:

  • não sustenta o olhar durante a mamada;

  • não acompanha o objeto que você movimenta;

  • parece não buscar o olhar do adulto durante trocas afetivas.

2. Respostas sociais reduzidas

Mesmo sem falar, os bebês já interagem muito. Quando há sinais de autismo, essa troca pode ser menor.

Observe se o bebê:

  • não sorri de volta quando alguém sorri;

  • parece indiferente às pessoas ao redor;

  • não demonstra vontade de brincar de forma interativa.

3. Pouca comunicação não verbal

A comunicação começa muito antes das palavras. Alguns bebês usam poucos gestos ou expressões.

Sinais importantes:

  • não aponta para mostrar ou pedir;

  • não acena “tchau”;

  • não levanta os braços para ser pego;

  • não tenta compartilhar atenção com o adulto.

4. Atraso no balbucio e na fala

O balbucio é um marco importante de desenvolvimento.

Atenção se:

  • não balbucia até 12 meses;

  • não diz palavras simples até 16 meses;

  • não junta duas palavras até os 2 anos.

5. Mais interesse em objetos do que em pessoas

Alguns bebês podem preferir observar movimentos e objetos em vez de interagir socialmente.

Exemplos:

  • passa muito tempo olhando luzes, ventiladores, rodas girando;

  • brinca sozinho por longos períodos;

  • não tenta dividir interesses com os pais.

6. Comportamentos repetitivos (stimming)

Mesmo bebês podem apresentar stimming, que são movimentos repetitivos usados para autorregulação.

Pode incluir:

  • balançar o corpo;

  • bater as mãos (flapping);

  • ficar olhando objetos que giram;

  • andar na pontinha dos pés;

  • abrir e fechar portas ou gavetas repetidamente.

Esses comportamentos não são “manias”: o bebê está tentando se organizar internamente.

7. Alterações no sistema sensorial

O bebê pode reagir de forma muito intensa (hipersensibilidade) ou muito fraca (hipossensibilidade).

Hipersensibilidade:

  • incômodo com barulhos;

  • choro durante o banho ou troca de roupa;

  • recusa a determinadas texturas.

Hipossensibilidade:

  • busca movimentos intensos;

  • gosta de apertos ou se espreme em espaços pequenos;

  • não reage à dor de maneira típica.

8. Pouca resposta ao nome

Esse é um dos sinais mais característicos entre 1 e 2 anos.

A criança:

  • raramente olha quando chamada;

  • parece não escutar (mesmo ouvindo bem);

  • não responde naturalmente à voz dos pais.

9. Dificuldade de imitar

Imitar gestos é um marco essencial de desenvolvimento social.

Observe se o bebê:

  • não bate palminha;

  • não tenta repetir sons que você faz;

  • não imita caretas, gestos ou brincadeiras simples.

10. Regressão após avanços

Alguns bebês chegam a desenvolver certas habilidades, mas depois perdem.

Exemplos:

  • parar de balbuciar;

  • parar de apontar;

  • perder palavras que já dizia;

  • reduzir contato visual.

Regressões merecem atenção especial e avaliação profissional.

🩺 Quando procurar ajuda?

Se você desconfia que seu filho possa estar no espectro autista (TEA), o ideal é procurar ajuda assim que perceber que algo no desenvolvimento dele foge ao esperado. Seja por não atingir os marcos de desenvolvimento da idade, por apresentar atrasos, sinais persistentes ou comportamentos que chamam sua atenção.

Mas, acima de tudo, ouça o seu instinto. Mães costumam perceber mudanças e diferenças muito antes dos profissionais, porque convivem diariamente com a criança e captam detalhes que ninguém mais vê. 

Muitas vezes, esse sentimento de “algo está diferente” já é um alerta suficiente para buscar avaliação com pediatra, neuropediatra ou especialistas em desenvolvimento infantil. 


🧠 A importância da intervenção precoce

A intervenção precoce é essencial porque, nos primeiros anos de vida, o cérebro da criança está no auge da sua capacidade de aprender, se adaptar e criar novas conexões.

Quando identificamos sinais de autismo e iniciamos o acompanhamento cedo, conseguimos fortalecer habilidades importantes como comunicação, interação, autorregulação e processamento sensorial, sempre respeitando o tempo e as características únicas da criança.

Isso não muda quem ela é, nem tenta apagá-la. Pelo contrário: a intervenção precoce oferece ferramentas para que ela se desenvolva com mais segurança, autonomia e bem-estar, reduzindo desafios no futuro e potencializando conquistas desde o começo.

E é importante lembrar: observar esses sinais não deve ser motivo de pânico. O que realmente desespera qualquer mãe e pai é não entender o que está acontecendo com o próprio filho. 

O diagnóstico, longe de ser uma sentença, é uma chave. Uma chave que ilumina o caminho, que nos permite compreender como nossos filhos percebem o mundo e que nos dá condições de oferecer o suporte certo, com empatia, paciência, intencionalidade e muito amor.

Com carinho,
Michele Leite
Mãe do Noah e sua companheira de jornada 💙