3 coisas que parecem birra, mas não são no autismo
Comportamentos comuns no dia a dia que costumam ser mal interpretados, mas que na verdade são formas de comunicação e desregulação no autismo.
Publicado em 19/01/2026 por Michele Leite
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Com certeza você já ouviu que uma criança precisa “aprender a se acalmar”, “se controlar” ou “se autorregular”.
Mas afinal, o que é autorregulação? E por que essa habilidade é tão desafiadora para muitas crianças autistas?
Vamos entender como o corpo e o cérebro se organizam e como nós, adultos, podemos ajudar a criança nesse processo.
Autorregulação é a capacidade que o nosso corpo e o nosso cérebro têm de se organizar internamente diante dos estímulos do ambiente e das próprias emoções.
Em termos simples, é a habilidade de:
se acalmar quando está agitado;
lidar com frustrações;
esperar;
ajustar o nível de energia;
manter atenção;
se reorganizar depois de um estresse.
É aquilo que permite que a pessoa saia de um estado de desorganização para um estado de maior equilíbrio.
Esse é um ponto muito importante: a autorregulação não é uma escolha consciente, principalmente na infância. Ela depende do amadurecimento de áreas do cérebro responsáveis por:
controle de impulsos;
processamento sensorial;
regulação emocional;
funções executivas.
No autismo, esse desenvolvimento neurológico acontece de forma diferente e, muitas vezes, mais lenta.
Por isso, a criança não se desregula porque quer, mas porque ainda não consegue se regular sozinha.
Quando a autorregulação ainda não está consolidada, o corpo da criança pode reagir com:
choro intenso;
gritos;
agitação;
rigidez;
crises (meltdowns);
isolamento (shutdown);
dificuldade de esperar ou lidar com mudanças.
Essas reações não são “birra”, “desobediência” ou que se trata apenas de uma criança mimada. São sinais de que o sistema nervoso está sobrecarregado.
Alguns fatores comuns no autismo impactam diretamente essa habilidade:
Uma criança não nasce sabendo se autorregular. Ela aprende isso com o outro.
Chamamos isso de corregulação: o adulto empresta o seu corpo calmo, previsível e organizado para ajudar a criança a se regular.
Exemplos de corregulação:
tom de voz calmo;
presença constante;
previsibilidade;
apoio sensorial;
acolhimento emocional.
Com o tempo, o cérebro da criança vai internalizando essas estratégias.
Algumas estratégias fundamentais que ajudam nesse processo são:
Esse é um ponto-chave: uma criança só aprende quando está regulada. Se o corpo está em alerta, sobrecarregado ou em crise, o cérebro não consegue:
prestar atenção;
processar informações;
aprender novas habilidades.
Por isso, no autismo, regular sempre vem antes de ensinar.
A autorregulação não surge do dia para a noite. Ela é construída com:
paciência;
constância;
repetição;
acolhimento;
respeito ao ritmo individual.
E sim, ela evolui, é uma habilidade neurológica em construção.
A autorregulação não é constante: a criança pode conseguir se regular em um dia e ter mais dificuldade no outro, dependendo do estado do corpo e do ambiente.
Quando entendemos esse processo e oferecemos o suporte adequado, a criança se sente segura, o corpo se organiza e o desenvolvimento acontece.
Com carinho,
Michele Leite
Mãe do Noah e sua companheira de jornada 💙