Autismo e Medicação: Quando e Por que Considerar
Uma decisão delicada que deve ser feita com informação e acompanhamento profissional.
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Quando falamos em atividade física para crianças autistas, muitas pessoas pensam apenas em esportes tradicionais como natação, futebol, etc.
Mas, para muitas crianças no espectro, o movimento é uma necessidade neurológica, e não uma atividade extra na rotina.
Neste artigo, vamos entender por que a atividade física é tão importante para crianças autistas e como podemos oferecer movimento de forma acessível, respeitosa e possível dentro de casa.
Quando o corpo se movimenta, o sistema nervoso se organiza melhor.
Muitas crianças autistas vivem em estados de:
hiperativação (agitação, ansiedade, alerta constante), ou
hipoativação (pouca percepção corporal, dificuldade de engajamento).
A atividade física ajuda a:
organizar o sistema nervoso;
reduzir ansiedade e irritabilidade;
melhorar a autorregulação;
diminuir crises;
preparar o cérebro para aprender.
É muito importante reforçar isso: Atividade física não precisa ser competitiva, estruturada ou seguir o modelo de aulas tradicionais. Para muitas crianças autistas esses tipos de atividades podem gerar mais estresse do que benefício.
O que a criança precisa primeiro é: movimento livre, prazer, previsibilidade e segurança. O esporte formal pode vir depois, se fizer sentido.
Abaixo estão exemplos de atividades que ajudam muitas crianças que buscam movimento para se autorregular.
Movimento intenso (para descarregar energia)
pular no colchão ou sofá;
correr em linha reta (corredor, quintal);
subir e descer escadas;
rolar no chão;
trampolim (mesmo pequeno);
balanço;
escorregador;
Atividades de força e pressão (para acalmar)
Essas são excelentes depois do movimento intenso.
empurrar a parede;
puxar caixas ou cestos;
carregar sacolas leves;
enrolar no cobertor (“burrito”);
apertar almofadas;
massagem firme;
abraços apertados (se a criança gostar);
cabo de guerra com toalha.
👉 Para muitas crianças, movimento pressão profunda é a combinação ideal para regulação.
Movimento com propósito (organiza ainda mais)
circuitos simples (pular → correr → empurrar);
brincadeiras de imitação corporal;
ajudar a guardar brinquedos mais pesados;
carregar compras pequenas.
Água: um recurso poderoso
Para crianças que gostam de água, ela é extremamente reguladora.
piscina livre (sem exigência de técnica);
banheira com brincadeiras de movimento;
jogar água com copos;
pular na água com um adulto;
empurrar a água com as mãos;
mergulhar (com segurança).
Para muitas crianças autistas, o ideal é:
movimento todos os dias;
vários momentos curtos ao longo do dia (5, 10, 20 minutos);
adaptar a intensidade conforme o estado do corpo.
Mais importante do que a duração é a frequência. O corpo regula, desregula e precisa regular de novo.
Oferecer atividade física para uma criança que busca movimento não é “ceder” ou “reforçar comportamento”. É atender uma necessidade neurológica básica, não é luxo, é cuidado.
Negar movimento é exigir autorregulação sem dar ferramentas.
A atividade física é uma grande aliada no desenvolvimento de crianças autistas. Não precisa ser perfeito e não precisa ser formal, precisa ser possível.
Quando respeitamos a criança e oferecemos os movimentos que ela precisa, o desenvolvimento acontece com muito mais leveza.
Com carinho,
Michele Leite
Mãe do Noah e sua companheira de jornada 💙