Terapia ABA e Autismo: Entendendo Benefícios e Críticas

A terapia ABA sob a perspectiva das famílias e da comunidade autista.

ABA e Autismo: entendendo benefícios, críticas e como escolher uma terapia ética e respeitosa

Quando uma criança é diagnosticada com autismo, uma das primeiras palavras que muitas famílias escutam é "ABA". Mas afinal, o que é essa terapia? Ela funciona mesmo? É indicada para todos? E por que tantos autistas adultos fazem críticas a ela?

Se você é mãe, pai ou cuidador e está com essas dúvidas, este artigo é pra você. Vamos explicar o que é a Terapia ABA, seus benefícios, suas críticas e o que considerar antes de escolher esse caminho.

🧠 O que é ABA, afinal?

ABA significa Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis). É uma ciência que estuda como aprendemos, como nos comportamos e como o ambiente influencia nosso comportamento.

Não é uma terapia exclusiva para autismo, é uma abordagem científica usada em diversas áreas como: educação, psicologia, saúde mental, desenvolvimento infantil, reabilitação, ensino de habilidades adaptativas, etc.

O que acontece é que, ao longo dos anos, ABA passou a ser uma das abordagens mais utilizadas no autismo por causa da sua estrutura clara e por permitir:

Mas é importante entender que a ABA não é um método único, fechado ou padronizado. Ela é um campo científico amplo, que inclui diferentes modelos de intervenção, estratégias de ensino e formas de aplicação.

👉🏻 Como ABA funciona na prática?

ABA parte de três perguntas essenciais:

1️⃣ O que vem antes do comportamento? (gatilho, contexto)

2️⃣ O que a criança faz? (comportamento observado)

3️⃣ O que acontece depois? (consequência, reforço)

Com isso, é possível entender:

Na prática, ABA pode envolver:

💡 Por que ABA pode funcionar tão bem para muitas crianças?

1. Aprendizagem por microetapas

O cérebro autista costuma se beneficiar muito quando uma tarefa é dividida em passos concretos e previsíveis e ABA faz exatamente isso.

2. Repetição estruturada

A repetição é uma das formas mais eficazes de consolidar aprendizagem e a ABA utiliza isso com intencionalidade e sensibilidade.

3. Previsibilidade reduz ansiedade

Ambientes estruturados ajudam o cérebro autista a:

Isso facilita muito o aprendizado.

4. Reforço positivo fortalece autoestima

Quando a criança consegue, ela vê, sente e entende o sucesso. Isso alimenta motivação interna, um ponto fundamental no autismo.

⚠️ Mas nem toda ABA é igual, e aqui começam as críticas

Apesar dos benefícios relatados por muitas famílias, parte da comunidade autista faz críticas importantes à ABA, especialmente à forma como ela foi (ou ainda é) aplicada em alguns contextos:

❌  A tentativa de “mascarar” o comportamento autista

Muitas abordagens tradicionais tentavam fazer a criança parecer "menos autista", forçando contato visual, impedindo movimentos como o stimming (autoestimulação) e ensinando respostas padronizadas. Isso, para muitos autistas adultos, além de ter gerado traumas, também é visto como um apagamento da identidade, “seja menos autista para ser aceito”.

❌  Experiências traumáticas na infância

Relatos de adultos autistas apontam que ABA foi vivenciada como algo doloroso: sessões longas, sem pausa, com reforços forçados, falta de escuta e, em alguns casos, punições. Isso deixou marcas e gera desconfiança até hoje.

❌  Carga horária excessiva

Durante muitos anos, a ABA foi recomendada com cargas intensas, chegando a até 40 horas semanais. Hoje, esse modelo é amplamente questionado, pois pode comprometer o tempo da criança para brincar, descansar e se relacionar de forma espontânea, além de gerar níveis elevados de estresse. 

Sabe-se que o cérebro precisa de pausas para organizar e consolidar o aprendizado, e por isso a abordagem atual caminha para intervenções mais equilibradas, com menos horas e maior qualidade.

❌  Falta de adaptação à neurodiversidade

A ABA precisa ser atualizada para entender que o autismo não é um defeito a ser corrigido, mas uma forma diferente de ser. As terapias precisam focar na autonomia, comunicação, segurança, participação social, redução de sofrimento e bem-estar, e não em apagar sinais do autismo.

🤔 A pergunta que importa: ABA é boa ou ruim?

A resposta é: depende de como é feita. ABA não deve ser uma cartilha rígida onde todas as crianças são tratadas da mesma forma. Precisa ser humanizada, adaptada, afetiva e ética.

Uma ABA ética deve:

✔ respeitar limites e emoções
✔ escutar a criança
✔ acolher necessidades sensoriais
✔ valorizar interesses
✔ promover autonomia
✔ nunca punir comunicação
✔ nunca forçar comportamentos não naturais
✔ ser guiada pelo brincar
✔ ser individualizada
✔ ser leve, humana e afetiva

Como mãe, eu acredito que qualquer terapia precisa fazer sentido para a criança, e a criança precisa estar feliz e se sentir segura. Se não existe respeito, escuta e humanidade, com certeza não vale a pena.

🧩 ABA não é a única opção

A ABA pode ser uma boa ferramenta, mas não é a única. Há diversas abordagens terapêuticas que também apoiam o desenvolvimento de crianças autistas, como a Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Psicoterapia Infantil, musicoterapia, entre outras.

Cada criança é única e cada família tem necessidades diferentes. A terapia ideal é aquela que funciona para o seu filho, não a que funciona somente na “teoria”. A escolha deve ser feita com cuidado, informação e responsabilidade.

Antes de escolher qualquer abordagem, busque profissionais comprometidos, que escutem sua família e respeitem quem seu filho é.

Nem tudo que funciona é certo, e nem tudo que é certo serve para todos. O melhor caminho é sempre o que une conhecimento, respeito e amor.

Com carinho,
Michele Leite
Mãe do Noah e sua companheira de jornada 💙

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